quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

MIASTENIA GRAVIS, A DOENÇA DA FRAQUEZA!


Mulher deitada com a mão na cabeça, passando sensação de cansaçoFraqueza muscular, falta de ar, cansaço excessivo, dificuldade para mastigar e engolir, visão dupla e pálpebras caídas. Essas condições tão diferentes – e muitas vezes comuns no dia a dia da maioria da população que vive sob uma intensa rotina de estresse – podem ser sinais de miastenia grave.
Como esses sintomas não aparecem em conjunto, os primeiros indícios do surgimento dessa doença autoimune podem passar despercebidos durante anos, até o agravamento do quadro. “O diagnóstico não é tão simples de ser feito, já que os sintomas aparecem e desaparecem espontaneamente e podem até se manifestar de forma descontinuada”, explica o Dr. Marcelo Annes, neurologista do Einstein. Uma característica importante é a fraqueza com fadiga após uma atividade mais intensa e melhora após o repouso. “É uma condição que pode ser confundida com outras doenças como neuropatias, doenças musculares, esclerose lateral amiotrófica e até mesmo esclerose múltipla e acidente vascular cerebral”, afirma o Dr. Denizart Santos Neto, neurologista da Unidade Semi-Intensiva do Einstein.
A miastenia gravis é uma resposta incorreta do sistema imunológico, que cria anticorpos contra os receptores de acetilcolina, substância liberada nas junções neuromusculares, causando uma interrupção da comunicação entre nervos e músculos. A principal musculatura atingida é a estriada, presente em quase todo o corpo. A fraqueza pode acometer todo o corpo, quando é chamada de generalizada – ocorre em 80% dos casos –, ou afetar somente os músculos oculares.
Em geral, a doença tem dois picos de incidência: a primeira entre os 20 e 30 anos, quando é mais comum em mulheres, na proporção de 3 para 1; e depois dos 50 anos, quando passa a ser prevalente de forma semelhante em ambos os sexos.
O diagnóstico da miastenia gravis baseia-se em critérios clínicos, ou seja, história compatível (relatos de períodos de fraqueza), além de testes laboratoriais e resposta positiva aos medicamentos anticolinesterásicos, que, após injeção, agem nos receptores neuromusculares, prevenindo a deterioração da substância acetilcolina e levando à melhora da força. “Realizamos alguns exames, como pedir para que o paciente feche os olhos com muita força e depois tente abri-los. Em geral, a pessoa com a doença tem dificuldade em realizar esse movimento. Também há pouca tolerância ao calor, então, ao colocar uma bolsa gelada sobre os olhos, por exemplo, a fraqueza melhora”, exemplifica o Dr. Denizart. Testes mais específicos também podem ser solicitados, como um exame de sangue que pesquisa a presença de anticorpos responsáveis por essa condição.
Para afastar a possibilidade de outras doenças e definir o diagnóstico com precisão, os médicos irão analisar ainda a resposta neurofisiológica da pessoa. “Realizamos o teste da estimulação repetitiva, que faz parte da eletroneuromiografia, quando é avaliada a junção neuromuscular. Induzimos laboratorialmente a fraqueza e vamos acompanhando a resposta do corpo. Quanto mais fraqueza, mais o resultado é positivo. E quanto mais acometida a pessoa está, maior a positividade”, esclarece Dr. Denizart.
No entanto, nas formas oculares da miastenia gravis, mais da metade dos casos tem resultado negativo nesse tipo de teste. Quando isso acontece, é realizado outro exame, a eletromiografia de fibra única – método que detecta o bloqueio ou a demora na transmissão neuromuscular, feito por meio de uma agulha especial com um pequeno eletrodo na ponta –, mais sensível e específico, capaz de identificar aqueles que não deram positivo no primeiro rastreamento.
A miastenia gravis raramente é fatal, mas tem complicações graves, como a insuficiência respiratória, já que a fraqueza pode atingir também o diafragma, músculo fundamental no processo de inspiração e expiração. Episódios como esse precisam de atenção redobrada, ventilação mecânica e, possivelmente, internação em unidades de atendimento semi-intensivo.
Além disso, segundo dados do Ministério da Saúde, 70% dos pacientes apresentam um aumento do timo, órgão localizado próximo ao coração e aos pulmões, responsável por promover a maturação de linfócitos e órgãos linfoides, como o baço, e, aproximadamente, 10% dos pacientes podem ter timoma, tumor incomum ligado a esse órgão.

Tratamento

Dado que a doença não tem cura, existem duas frentes para o tratamento da miastenia gravis: a medicamentosa e a cirúrgica. O objetivo é estabilizar as possíveis crises, reduzir a progressão da doença e melhorar a força do paciente. “Tratamos a parte relacionada à imunidade com o uso de imunossupressores e/ou corticoides. E do ponto de vista físico, com anticolinesterásico, que aumenta a força”, diz Dr. Marcelo. Dependendo da situação, é possível realizar também a cirurgia de retirada do timo (timectomia), principalmente se ele estiver com o tamanho aumentado ou houver suspeita de tumor.
Nas situações mais graves, com insuficiência respiratória, chamadas de crises miastênicas, duas terapias são altamente eficazes: a plasmaférese e a imunoglobulina. A primeira é um processo semelhante a uma filtragem de parte do sangue (o plasma) para retirar elementos que possam estar causando a doença. A segunda é como inserção de anticorpos para alterar o sistema imunológico por algum período.

Futuro

Importantes centros de pesquisa buscam novas terapias e até mesmo a cura para a miastenia gravis. A publicação médica mais recente sobre o tema, feita pela equipe de um dos mais conceituados centros de tratamento norte-americano, o John Hopkins Medicine, relata bons resultados com a utilização da terapia genética. Os cientistas conseguiram suprimir a resposta imunológica incorreta que desencadeia a doença. A pesquisa ainda está sendo feita em ratos, mas é um grande avanço não somente no combate a essa condição, mas também a outras doenças autoimunes.
Musculos do corpo humano
Publicado em 21/0

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE MIASTENIA GRAVIS




  • O que é Miastenia Grave?
A Miastenia Grave é uma doença que acomete os nervos e os músculos, portanto, é uma doença neuromuscular, de origem auto-imune. Ela se caracteriza por fraqueza acentuada que aparece depois do exercício físico ou mesmo no final do dia, portanto, sua principal característica é a fadiga.
Como toda doença auto-imune, a Miastenia acontece em virtude da produção de anticorpos contra o próprio organismo, mais precisamente, contra uma estrutura do músculo chamada de receptor de acetilcolina, que é a região onde o nervo eferente se liga no músculo.

  • Como um indivíduo se torna portador de Miastenia Grave? 
  • Os  sintomas da Miastenia Grave são causados por um defeito de transmissão dos impulsos dos nervos para os músculos, podendo estes permanecer normais. A transmissão dos impulsos dos nervos para os músculos é normalmente feito por uma substância, a Acetilcolina, na junção neuromuscular provocando uma contração do músculo. Na Miastenia Grave o número de receptores da Acetilcolina  ou sítios dos quais a substância pode ser recebida encontram-se reduzidos, e isto devido a um ataque dos receptores da Acetilcolina, por anticorpos, produzidos pelo sistema imunitário do próprio indivíduo. Este é o sistema normalmente envolvido na luta contra as infecções.

 

  • Quais são os sintomas da doença?
O inicio da Miastenia Grave  pode ser súbito com fraqueza muscular severa e generalizada, mas mais freqüentemente os sintomas iniciais são variáveis tornando o diagnóstico da doença difícil.
O primeiro sintoma freqüentemente verificado é a fraqueza dos músculos dos olhos. A doença pode permanecer ou progredir  para os músculos da deglutição, fonação, mastigação ou dos membros. Os sintomas variam de doente para doente, mas podem incluir a queda de uma ou ambas as pálpebras (ptose), desdobramento das imagens ou visão dupla (diplopia), fraqueza dos músculos que mobilizam os globos oculares (estrabismo), dificuldade em engolir com regurgitação dos líquidos pelo nariz (disfagia), dificuldade em falar, com voz nasalada (disfonia), fraqueza nos músculos da mastigação e tendência para ter a boca aberta, ou do pescoço com queda da cabeça para diante, fraqueza dos músculos dos membros, com dificuldade para subir degraus ou andar, ou elevar os braços para pentear, barbear ou escrever e por fim fraqueza dos músculos respiratórios o que representa um perigo significativo.
A fraqueza muscular pode desenvolver-se durante dias ou semanas ou manter-se no mesmo nível durante longos períodos de tempo.
                      


  • O que é Crise Miastênica?
Uma crise miasténica ocorre quando um doente com Miastenia Grave começa com dificuldade em respirar, não responde à medicação e necessita ser hospitalizado para assistência respiratória, em geral mecânica.

  • As pacientes portadoras da doença podem engravidar?
Sim. Mas os médicos aconselham o parto cesariano.

  • Os filhos de mães miastênicas serão portadores da doença também?
Como os anticorpos que causam esta doença podem atravessar a placenta, 20% dos recém-nascidos filhos de mães com miastenia grave apresentam a doença ao nascimento. Contudo, como os anticorpos maternos desaparecem gradualmente e o recém-nascido não produz anticorpos deste tipo, a fraqueza muscular geralmente é temporária ou transitória.
O uso de medicamentos e da cirurgia do Timo, isolados ou em conjunto são razoavelmente eficazes no tratamento da Miastenia Grave..

 O uso de imunoglobulinas tambem pode ser indicado nestas crises.
 
  • Existe possibilidade de cura?
Alguns casos de miastenia grave podem entrar em remissão temporária e a fraqueza muscular pode desaparecer totalmente, de modo a que a medicação pode ser descontinuada. Remissões completas, estáveis e duradouras são o objectivo final da timectomia.

Como ter qualidade de vida sendo portador de miastenia grave?
Com a medicação os portadores da doença podem ter uma vida quase normal, e quem vai definir seus limites são os próprios pacientesprios limites snir seus primites ss uma vida quase normal,.